Só uma lembrancinha
Com as festas de fim de ano vêm os presentinhos de clientes, fornecedores e parceiros de negócios. Quando aceitar ou recusaro agrado?
Deborah Trevizan (redacao.vocesa@abril.com.br)

12/11/2009
Crédito: NegreirosO fim de ano se aproxima e com ele vêm as festas de confraternização, distribuição de brindes e troca de presentes. Mas o que pode e o que não pode? Quando as regras são bem estabelecidas pela empresa, as coisas tendem a fi car mais fáceis. Caso contrário, use o bom senso e as nossas dicas.
PRESENTES E ÉTICA
O brinde pode ser uma caneta esferográfica ou convites para a ala VIP de um espetáculo superconcorrido. Aceitar qualquer mimo sem saber o que diz o código de ética da empresa pode ser um tremendo erro. Veja o caso da vice-presidente global de marketing do Wal- Mart, Julie Roehm, de 38 anos, que foi demitida em dezembro de 2006, depois de aceitar presentes e jantares caros de agências de publicidade com as quais o Wal-Mart tinha acordos comerciais.
Mais importante: o código de conduta do Wal-Mart diz que seus funcionários (executivos inclusive) estão proibidos de aceitar qualquer tipo de lembrancinha. Julie continua desempregada e move um processo de 1,5 milhão de dólares contra a rede varejista americana. A Siemens do Brasil criou, em 2007, seu Código de Compliance, para orientar seus profi ssionais a lidar com presentes e cortesias. “Receber ou dar presentes indevidos pode comprometer a nossa imagem”, diz Wagner Giovanini, diretor de compliance da empresa. Foi criado um sistema online para os funcionários responderem a diversas perguntas até descobrir se um presente está dentro das normas.
REGRA GERAL
Para empresas que não possuem um código de conduta estabelecido, pense sempre se o presente recebido, ou dado, pode ganhar a conotação de lobby, ou se quem dá acha que, com aquele presente, pode convencê-lo a fazer negócios vantajosos para a outra parte. Para Zezé Brandão, diretor de criação da Limonada Publicidade, de São Paulo, o presente de fi m de ano, para o chefe, para o cliente ou para os funcionários, deve ser uma lembrancinha. “Algo com pouquíssimo valor monetário, como um livro”, diz. Se estiver em dúvida, faça uma gentileza em vez de comprar algo. “Substitua o presente por um convite para um café na sua empresa.” Isabel Arias, consultora em RH, é mais radical. Para ela, no mundo empresarial não há espaço para presentes. “A relação é profi ssional e por isso eles não cabem”.
Recuse com classe…
Se você receber um presente com valor visivelmente alto, não tenha dúvida, recuse-o gentilmente. “Você pode devolvê-lo com um cartão ou com flores e dizer que não se sente confortável. Ou fazer uma doação desse presente em nome da empresa, tornando pública esta ação. “Uma maneira ética e delicada de devolver o presente”, diz Zezé Brandão, da Limonada Publicidade.
…Ou divida
Dividir com a equipe um presente mais caro, ainda que esteja dentro dos limites estabelecidos pelo código de ética de sua empresa, é uma maneira gentil de compartilhar uma meta atingida, por exemplo. “É uma maneira de dizer que o mérito é de todos”, diz o advogado Klayton Furuguem, da Matsuka Advogados, de Brasília.




